O vento vem, como um pequena verdade, e algo se prende ao meu olho. E eu o fecho, assim como venho ignorando todas suas mentiras, mas não importa quanto eu coce, o quanto alguém tente me ajudar, assoprando. Mais verdade, não vão mudar isso. E agora acho que nem as mentiras podem.
E de novo eu estou aqui. E minha mente permanece mergulhada em pensamentos que eu sei que não vão me tirar daqui. Mas nesse angulo, porque eu gostaria de sair daqui?
As coisas me parecem bem corretas dessa perspectivas. E eu posso até entender os concelhos e os pedidos, mas eu não os acho necessário. "Doa e prove que ainda estou vivo".
Eu sei que eu vou me arrepender, porque eu me lembro de tentar manter distância. Eu me lembro de querer me proteger disso. E mesmo assim, mesmo lembrando de tirar a armadura, ainda não parece eu. Não parece algo que eu faria. Mas entregar agora os meus maiores medos, abrir totalmente meu peito, esperando pelas facas, parece ainda mais que burro. Parece...Suícida.
Eu tenho tantas medos...Eu sou um completo covarde. E eu venho ainda mais teimando com as suas palavras. E eu juro que eu confio em você, mas não faz sentido. Não faz sentido eu te fazer bem, se eu não consigo fazer isso a mim mesmo. Não faz sentido você gostar de mim, se eu ainda não posso me olhar nos espelhos.
E eu tenho alguns medos maiores do que os outros. Alguns dos que superam o medo de morrer. Superam muito fácil o medo de deixar de existir, de viver eternamente, de não saber. E o medo de não saber é quase insuportável.
Os outros quatro são literalmente insuportáveis.
O segundo, o que você poderia achar que é o pior. Mas ainda perde do primeiro, mas é com certeza mais preocupante e mais mortal que qualquer outro. (Não que os outros não sejam, mas este aqui é mais eficaz. O veneno se expalha rápido demais, eu não teria tempo de desejar ajuda).
Eu não suportaria jamais te perder. Eu não suportaria jamais me tornar indiferente pra ti.
______________
I´m been honest with myself,
but not with you.
domingo, 28 de dezembro de 2008
My Hollow Heart
A primeira coisa que você deve saber é que nenhum de nós te culpa.
Nenhum de nós está zangado com o que você fez.
Mas sabemos bem o que você fez. O que fez conosco.
E você sempre soube que nós sempre o perdoariamos,
Perdoariamos por roubar o nosso coração,
E por nos deixar esse eterno buraco vazio.
Este coração não é mais meu
Eu te dei na última vez que houve sol
E agora tem pessoas aqui
Cobrando de mim o que eu não posso retribuir
E eu não quero mais ficar sozinho
Enquanto nenhuma dor ou pessoa me distrai
Eu sinto esse imenso buraco no meu peito
Que eu mesmo cavei
Meu coração batia por você
Até você levá-lo contigo pra longe
Sem me deixar o seu
E não me diga que não viu
Todo o meu sangue
E não me diga que não me ouviu
Pedir pra me libertar dessa dor
Este coração não é mais meu
(Como se eu ainda pudesse ouví-lo bater)
Eu te dei na última vez que houve sol
(Como se eu ainda me lembrasse de como era me sentir aquecido)
E agora tem pessoas aqui
Cobrando de mim o que eu não posso retribuir
(O que você tirou de mim,
A chance. A vontade. O desejo.
De amar de novo).
Nenhum de nós está zangado com o que você fez.
Mas sabemos bem o que você fez. O que fez conosco.
E você sempre soube que nós sempre o perdoariamos,
Perdoariamos por roubar o nosso coração,
E por nos deixar esse eterno buraco vazio.
Este coração não é mais meu
Eu te dei na última vez que houve sol
E agora tem pessoas aqui
Cobrando de mim o que eu não posso retribuir
E eu não quero mais ficar sozinho
Enquanto nenhuma dor ou pessoa me distrai
Eu sinto esse imenso buraco no meu peito
Que eu mesmo cavei
Meu coração batia por você
Até você levá-lo contigo pra longe
Sem me deixar o seu
E não me diga que não viu
Todo o meu sangue
E não me diga que não me ouviu
Pedir pra me libertar dessa dor
Este coração não é mais meu
(Como se eu ainda pudesse ouví-lo bater)
Eu te dei na última vez que houve sol
(Como se eu ainda me lembrasse de como era me sentir aquecido)
E agora tem pessoas aqui
Cobrando de mim o que eu não posso retribuir
(O que você tirou de mim,
A chance. A vontade. O desejo.
De amar de novo).
E se fosse eu...
É tudo o que eu sou capaz de perguntar. Mas o telefone mudo não me retorna. E eu não estou bem certo se eu quero saber a verdade. Não se ela não for a certa. A certa pra mim.
Eu pensei que tinha escolhida uma opção pra mim e eu sabia os riscos, mas agora eu vejo que por pouco, tudo não se esvaiu pelos meus dedos. E honestamente, agora eu deveria estar aliviado, mas o choque me prendeu dentro dessa bolha que eu não sei se posso sair.
Meu corpo permanece imóvel e eu não responderei por um longo tempo, nem mesmo a sua voz. Eu estou desconcertado.
Eu pensei que tinha escolhida uma opção pra mim e eu sabia os riscos, mas agora eu vejo que por pouco, tudo não se esvaiu pelos meus dedos. E honestamente, agora eu deveria estar aliviado, mas o choque me prendeu dentro dessa bolha que eu não sei se posso sair.
Meu corpo permanece imóvel e eu não responderei por um longo tempo, nem mesmo a sua voz. Eu estou desconcertado.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Mordida. (Epílogo).
Era uma calmaria comum de uma quinta-feira. Mesmo isso estando longe do fim, mesmo sendo apenas o grande ínicio. De alguma forma, o destino já havia destribuido as cartas. Mesmo com todo o jogo ainda indecifrável, agora era o meio-tempo. Entre o fim da primeira parte, da primeira rodada. E o que estava por vir.
Alberto estendia suas longas pernas nuas, em frente ao espelho do banheiro. Admirando seu reflexo perfeito. Seus olhos brilhavam para si mesmo, ele nunca fora tão incrivelmente feliz e admirado com o seu belo corpo juvenil. Após um longe tempo, tinha atingido a perfeição sobre-humana. Semi-nu, vestido apenas pela cueca branca, justa e um par de meias, inexplicavelmente brancas, mesmo tocando o chão sem proteção alguma, permancia no mesmo tom pacifico da outra peça de roupa. Seu rosto desmonstrava estar confortavel dentro daquele banheiro.
Seu melhor amigo e também seu criador, se moldou ao seu lado. Sem trazer nenhum aviso, nem o barulho dos passos, nem o cheiro, nem se quer uma brisa para alertar a sua chegada. Mas Alberto não pareceu surpreso com a sua chegada. Mesmo com a agilidade que o segundo vampiro passou pela porta, quase invisivel, não assustou.
Também coberto com apenas duas peças de roupa, como se os dois acabassem de despertar. Não era uma conhecidência bizarra, pois não houve estranhamento de nenhuma das partes com os trajes não convencionais.
Apesar do rosto do primeiro vampiro permanecer estático, fitando o espelho. Impressionado com a sua nova aparência. Que não estava muito diferente do comum, apenas seus musculos pareciam maiores e seu ar sombrio. Ainda mais sedutor.
Os dois vampiros tiveram uma longa conversa, em silêncio, com olhares. Caso fosse filmado ou detalhado. Diriam que era como um antigo filme mudo, um músical talvez. Que trazia em si o romance e a seriedade. O silêncio intensificava ainda mais o charme.
Por fim, o vampiro mais velho libertou as primeiras palavras, quebrando o não-inconviniente e não-perturbador silêncio.
- Como você está? - Apesar de ser retórica, a pergunta pareceu sincera e curiosa.
O segundo vampiro, mais bonito, com um sorriso malicioso, virou-se. Abandonando o espelho. Aparentemente, mesmo sendo mais novo, sua inflûencia era nítida e gigantescamente maior. Seus olhos penetrantes, sua beleza sobrenatural, junto com os anos de amizade e amor o tornavam ainda mais poderoso. Alberto continou em silêncio, enquanto deu um passo a frente. Foi tudo o que precisou para ficar tão próximo do outro vampiro, capaz de ouví-lo respirar, se por acaso algum deles decidissem se dar ao luxo de sugar um pouco de ar, desnecessário para mantê-los...O que já não eram mais, vivos.
- Eu estou muito melhor agora que você...me mordeu. - Sorriu como um agradecimento. Seu maior sonho era real. E ele estava sem palavras para agradecer o novo corpo, os novos poderes e poder não ser chamado de humano mortal, mas ter um novo nome agora. Vampiro.
Isso foi apenas uma tentativa de agradecer um favor, não tão voluntário, como se alguém fosse capaz de negar á ele um desejo. Um pedido. Qualquer coisa.
Os dois homens não vestidos, olhando-se silenciosamente. Um na frente do outro, facilitava criar as comparações obvías. Claro que tinham caracteristicas comuns pelo fato de serem ambos sugadores de sangue. Porém Alberto, o que havia se tornado vampiro há apenas algumas horas, era sem dúvida absurdamente mais belo que seu criador. Isso devia a sua própria fisionomia, não envolvia nada com sua nova definição de espécie. Seus olhos eram convidativos e tão persuadores que você nem se daria conta que estava obdecendo ordens, porque eles faziam desejar realizar os seus desejos. A grave da sua voz era o mais próximo de um sussurro, e não era programado. Era tão belo quanto seu rosto coberto de feições. Ele conseguia ter milhões de interpretações, paralisado. Como se fosse uma criança engenua e ao mesmo tempo um homem adulto completamente sedutor e mortal. Enquanto, na outra mão estava o outro vampiro. Também com seus traços e originalidade, aposto que ele era muito gentil. Na outra mão, pra ser mais exato estava eu.
Ele abriu a boca, e seus dentes perfeitos e apaixonantes estavam a mostra. E seus caninos aumentariam trazendo o vento que após percorrer toda minha espinha, deixaria seu rastro na minha pele. Toda arrepiada e minhas pernas tombariam.
Mesmo eu sendo um vampiro e sendo eu quem o transformou, não pude conter o arrepio. Não tinha nada a ver com sermos dois seres imortais e hipnotizadores. Era algo mais básico. Ele sabia que me provocaria, ele sabia o efeito de cada ação em mim. E por isso fazia. E não sorriu ao me ver, todo preparado pra me render. Ele teve que se inclinar um pouco, por ser tão alto.
Ofereci meu pescoço, quase que num empulso. Mesmo sem precisar ouvir nenhum pedido ou ordem. Não havia riscos. Eu já era vampiro. Eu era o vampiro que o transformou. Eu era seu criador. Eu sabia que isso não passava de uma brincadeira. Uma provocação.
Estiquei meu pescoço e sem mover qualquer parte do meu corpo, congelamos. Naquela posição poetica de possessão. E eu era todo dele agora. Cada parte de mim, por mais que pequena e frágil, pertencia eternamente a um único vampiro.
Ele se deu o luxo de respirar no meu pescoço e soltou um leve riso maldoso, quando extremeci. Controlou sua gargalhada para não perder o controle absoluto. Eu não pude prender as palavras na minha boca pelo tempo necessário:
- Me morda. - Foi um sussurro. Quase mudo. Como se fosse só um pensamento. Mas eu sei que ele ouviu. E tocou seus intocáveis lábios macios no meu pescoço. Nesse momento, eu era o universo. Eu era tudo. Eu era o mundo, eu era Deus, eu era o nada.
O extase aumento quando seus lábios abriram e pude ouvir seus dentes prontos. Ele passou sua mão sobre minha perna e solto-a no meu pescoço, do outro lado que a sua boca cobria.
Eu então fechei os olhos e logo estava olhando-me no espelho, sem reflexo. Sozinho.
Com uma marca de dois pequenos pontos estampada em meu pescoço. Infelizmente, não fora feita hoje. E nem pelo meu melhor amigo.
Alberto estendia suas longas pernas nuas, em frente ao espelho do banheiro. Admirando seu reflexo perfeito. Seus olhos brilhavam para si mesmo, ele nunca fora tão incrivelmente feliz e admirado com o seu belo corpo juvenil. Após um longe tempo, tinha atingido a perfeição sobre-humana. Semi-nu, vestido apenas pela cueca branca, justa e um par de meias, inexplicavelmente brancas, mesmo tocando o chão sem proteção alguma, permancia no mesmo tom pacifico da outra peça de roupa. Seu rosto desmonstrava estar confortavel dentro daquele banheiro.
Seu melhor amigo e também seu criador, se moldou ao seu lado. Sem trazer nenhum aviso, nem o barulho dos passos, nem o cheiro, nem se quer uma brisa para alertar a sua chegada. Mas Alberto não pareceu surpreso com a sua chegada. Mesmo com a agilidade que o segundo vampiro passou pela porta, quase invisivel, não assustou.
Também coberto com apenas duas peças de roupa, como se os dois acabassem de despertar. Não era uma conhecidência bizarra, pois não houve estranhamento de nenhuma das partes com os trajes não convencionais.
Apesar do rosto do primeiro vampiro permanecer estático, fitando o espelho. Impressionado com a sua nova aparência. Que não estava muito diferente do comum, apenas seus musculos pareciam maiores e seu ar sombrio. Ainda mais sedutor.
Os dois vampiros tiveram uma longa conversa, em silêncio, com olhares. Caso fosse filmado ou detalhado. Diriam que era como um antigo filme mudo, um músical talvez. Que trazia em si o romance e a seriedade. O silêncio intensificava ainda mais o charme.
Por fim, o vampiro mais velho libertou as primeiras palavras, quebrando o não-inconviniente e não-perturbador silêncio.
- Como você está? - Apesar de ser retórica, a pergunta pareceu sincera e curiosa.
O segundo vampiro, mais bonito, com um sorriso malicioso, virou-se. Abandonando o espelho. Aparentemente, mesmo sendo mais novo, sua inflûencia era nítida e gigantescamente maior. Seus olhos penetrantes, sua beleza sobrenatural, junto com os anos de amizade e amor o tornavam ainda mais poderoso. Alberto continou em silêncio, enquanto deu um passo a frente. Foi tudo o que precisou para ficar tão próximo do outro vampiro, capaz de ouví-lo respirar, se por acaso algum deles decidissem se dar ao luxo de sugar um pouco de ar, desnecessário para mantê-los...O que já não eram mais, vivos.
- Eu estou muito melhor agora que você...me mordeu. - Sorriu como um agradecimento. Seu maior sonho era real. E ele estava sem palavras para agradecer o novo corpo, os novos poderes e poder não ser chamado de humano mortal, mas ter um novo nome agora. Vampiro.
Isso foi apenas uma tentativa de agradecer um favor, não tão voluntário, como se alguém fosse capaz de negar á ele um desejo. Um pedido. Qualquer coisa.
Os dois homens não vestidos, olhando-se silenciosamente. Um na frente do outro, facilitava criar as comparações obvías. Claro que tinham caracteristicas comuns pelo fato de serem ambos sugadores de sangue. Porém Alberto, o que havia se tornado vampiro há apenas algumas horas, era sem dúvida absurdamente mais belo que seu criador. Isso devia a sua própria fisionomia, não envolvia nada com sua nova definição de espécie. Seus olhos eram convidativos e tão persuadores que você nem se daria conta que estava obdecendo ordens, porque eles faziam desejar realizar os seus desejos. A grave da sua voz era o mais próximo de um sussurro, e não era programado. Era tão belo quanto seu rosto coberto de feições. Ele conseguia ter milhões de interpretações, paralisado. Como se fosse uma criança engenua e ao mesmo tempo um homem adulto completamente sedutor e mortal. Enquanto, na outra mão estava o outro vampiro. Também com seus traços e originalidade, aposto que ele era muito gentil. Na outra mão, pra ser mais exato estava eu.
Ele abriu a boca, e seus dentes perfeitos e apaixonantes estavam a mostra. E seus caninos aumentariam trazendo o vento que após percorrer toda minha espinha, deixaria seu rastro na minha pele. Toda arrepiada e minhas pernas tombariam.
Mesmo eu sendo um vampiro e sendo eu quem o transformou, não pude conter o arrepio. Não tinha nada a ver com sermos dois seres imortais e hipnotizadores. Era algo mais básico. Ele sabia que me provocaria, ele sabia o efeito de cada ação em mim. E por isso fazia. E não sorriu ao me ver, todo preparado pra me render. Ele teve que se inclinar um pouco, por ser tão alto.
Ofereci meu pescoço, quase que num empulso. Mesmo sem precisar ouvir nenhum pedido ou ordem. Não havia riscos. Eu já era vampiro. Eu era o vampiro que o transformou. Eu era seu criador. Eu sabia que isso não passava de uma brincadeira. Uma provocação.
Estiquei meu pescoço e sem mover qualquer parte do meu corpo, congelamos. Naquela posição poetica de possessão. E eu era todo dele agora. Cada parte de mim, por mais que pequena e frágil, pertencia eternamente a um único vampiro.
Ele se deu o luxo de respirar no meu pescoço e soltou um leve riso maldoso, quando extremeci. Controlou sua gargalhada para não perder o controle absoluto. Eu não pude prender as palavras na minha boca pelo tempo necessário:
- Me morda. - Foi um sussurro. Quase mudo. Como se fosse só um pensamento. Mas eu sei que ele ouviu. E tocou seus intocáveis lábios macios no meu pescoço. Nesse momento, eu era o universo. Eu era tudo. Eu era o mundo, eu era Deus, eu era o nada.
O extase aumento quando seus lábios abriram e pude ouvir seus dentes prontos. Ele passou sua mão sobre minha perna e solto-a no meu pescoço, do outro lado que a sua boca cobria.
Eu então fechei os olhos e logo estava olhando-me no espelho, sem reflexo. Sozinho.
Com uma marca de dois pequenos pontos estampada em meu pescoço. Infelizmente, não fora feita hoje. E nem pelo meu melhor amigo.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Infinito.
Escorreguei pela parede. Centimentro por centimetro, até sentir o chão gelado e sem vida tocando-me de volta. Devia ser o fim, porque doeu tanto que eu pensei que meu coração fosse parar de bater. Eu tive que despertar meus pulmões e lembrar-me de respirar. E de novo e de novo e de novo. Mas eu não sabia por quanto tempo seria capaz de fazer isso, eu não sabia por quanto tempo eu ia querer permanecer vivo. E eu sabia que tempo era a única coisa que não me importava agora. O silêncio não me amedontrou. Nem se quer teve a chance de me confidenciar algum segredo. Eu não estava confiante, muito menos corajoso. Mas não teria mais medo, de nada.
Olhei fixamente minhas opções. Pensei em abandonar a sala, correndo. Mas a chance de escorregar no meu sangue, era muito maior do que qualquer chance de sair dali vivo.
Meu pescoço estava quente. Dizem mesmo que vermelho é calor. E logo eu estaria frio. Era de novo só questão de tempo. Até que toda essa cor esvaize do meu corpo e me tirasse o ar.
O infinito do segundo me prendeu. Era quase calmo. Percebi que gritar agora não seria útil. E eu pensei que seria muito mais revoltante morrer. Eu pensei que seria muito mais revoltante estar destinado ao fim. Saber isso devia ser cruel. Meus olhos estavam prontos pra se fecharem. Eu estava pronto pra sumir. Mas eu ouvi a voz de casa. E assim eu soube que estava delirando. Meus olhos fecharam-se. E eu me entreguei a última sensação. Eu entreguei meus últimos segundos á minha doce alucinação. Era um anjo, quase puro. Se não houvesse se sujado com o meu sangue. Se não fosse a razão de eu estar desesperado.
Ele olhou pra mim, e sua beleza quase queimou meus olhos. Seu sorriso era meu pecado. E eu sabia que eu estava punindo meus erros. Era o acerto de contas. E ele pareceu me perdoar dizendo apenas 'Descanse em paz'.
Olhei fixamente minhas opções. Pensei em abandonar a sala, correndo. Mas a chance de escorregar no meu sangue, era muito maior do que qualquer chance de sair dali vivo.
Meu pescoço estava quente. Dizem mesmo que vermelho é calor. E logo eu estaria frio. Era de novo só questão de tempo. Até que toda essa cor esvaize do meu corpo e me tirasse o ar.
O infinito do segundo me prendeu. Era quase calmo. Percebi que gritar agora não seria útil. E eu pensei que seria muito mais revoltante morrer. Eu pensei que seria muito mais revoltante estar destinado ao fim. Saber isso devia ser cruel. Meus olhos estavam prontos pra se fecharem. Eu estava pronto pra sumir. Mas eu ouvi a voz de casa. E assim eu soube que estava delirando. Meus olhos fecharam-se. E eu me entreguei a última sensação. Eu entreguei meus últimos segundos á minha doce alucinação. Era um anjo, quase puro. Se não houvesse se sujado com o meu sangue. Se não fosse a razão de eu estar desesperado.
Ele olhou pra mim, e sua beleza quase queimou meus olhos. Seu sorriso era meu pecado. E eu sabia que eu estava punindo meus erros. Era o acerto de contas. E ele pareceu me perdoar dizendo apenas 'Descanse em paz'.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Permanente.
Mas é claro que eu já esperava pela dor. É impossível imaginar ficar tanto tempo distante, inatingível. Essa noite prometia ser dolorosamente divertida. E isso está se tornando permanente. E eu devo estar sendo influenciado, mais do que nunca. Por que eu me esforço significantemente para te acompanhar. Mas você é bem mais rápido. E agora que nossa história anda em crise, meus versos são descartáveis. Assim como esse eu-lírico será fácilmente apagado. Só precisamos de uma borracha: o tempo.
E você não se contenta, você quer ser todos os personagens. E eu estaria feliz em ser apenas aqueles que se encontram com você. Eu só gostaria de ser capaz de preenxer, todos os espaços. Todas as frases. Tudo.
Entrei no carro, contráriado. A noite estava começando e por enquanto as coisas estavam calmas, mas eu sinceramente já estava desanimado. Tentei me esconder dos espelhos, para que isso não piorasse ainda mais. Procurei razões para estar encarando tudo, e no fim, estavamos parados a sua porta. Esperando-o. Esperando a luz. Minha fé. Um anjo.
E você veio em minha direção, eu abri a porta. E você estava em camera lenta, abaixando-se e curvando-se para entrar no pequeno carro vermelho.
Minha mente se fechou em pensamentos exclusivos, que eu não gostaria de compartilhar com você. Eu não me contentei com as palavras 'bonito'. Será que você sabia o quanto perto da beleza inumana você alcançava, sem esforço? Será que você não percebe que não preciamos mais de luzes, com esse brilho intenso, eu poderia ficar no escuro, em segurança. Sem medo.
Será que você não vê que... as palavras estão se perdendo na minha boca? E eu não consigo tirar meus olhos da sua irritante perfeição. E agora sim, eu estava acabado. Não havia, nunca, competições. E eu estava sendo muito idiota, confesso. Eu sempre soube que nunca seria digno disso. E eu já podia estar convencido disso, era errado. Era impossível. Era inresistível.
Mesmo assim, eu deveria estar completamente agradecido por estar ali, por ele me deixar admirar algo tão grande e tão bonito. Era como ir a um grande museu e admirar grandes obras de arte, e nós não podemos fazer parte dessas pinturas. Dessas histórias. E mesmo assim, ficamos gratos por pelo menos, então, estarmos ali. Conhecendo. Admirando.
Mas as coisas estão ficando dolorosas. E díficies de continuar. Porque eu sei que sou errôneo em admitir querer qualquer coisa. Eu sei que você já tem sido muito compreensivo. E eu estou ainda implorando por mais. Eu ainda estou de joelhos, imitando uma vítima. Como se isso tudo girasse a minha volta. Como se eu, agora, fosse mais do que qualquer coisa. E eu estou completamente
Mas eu já disse tantas vezes. E eu não me contento em ler minhas palavras. Eu quero repití-las. Como quando seus olhos ficam tão esperançosos, que aquecem-me tanto que eu me sinto completamente derretido. E tudo o que você me pede, eu diria sim. Mesmo sabendo que me arrependeria fácilmente, em segundos.
Como o branco dos seus olhos junto com o negro intenso que as vezes, por graça, me fita. E eu não sou capaz de me mover. De respirar. Ou mesmo de pensar. Eu preciso me concentrar sempre antes, planejando o que dizer. Porque fica impossível ser expontanêo, quando você consegue ser perfeito, sem planos. Como você parece saber tudo, e nunca se engana.
Eu gostaria de voltar a falar da sua voz. Por que ela é a parte de você que eu posso ter sem límites, que eu fecho os olhos, ao telefone. E me concentro violentamente na forma, no gosto, no tom que ela se propaga. Como eu poderia viver sem isso? Eu não penso mais, direito. Porque eu me deixo cair, no grave da sua voz. Tão dedicido, adulto, eu caio no chão. Admirado. Eu gostaria de ter essa voz em todos os meus lados. Em todas as músicas, em todos os filmes, você poderia ser a única voz. E eu estaria muito satisfeito.
E quando você altera a sua voz, para algo mais fino, ou algo mais perverso. Quando você assusta alguém, e logo depois, eu já conheço. Eu já espero, ansiosamente. Eu já sinto meu corpo, todo pronto, para se preenxer dessa felicidade que chega com o seu sorriso. O seu riso alto e descontrolado que eu seria capaz de reconhecer. Mesmo morto.
As suas poses. Você é todos os personagens de todas as histórias. E o que você ainda não percebe, é que você se encaixa em todos. Um pouco de você, preenxe todos, muito bem. Soando tão belo.
Hoje você é todos os personagens. Mas nenhum deles estão disponiveis pra mim.
Hoje você é todos os personagens. E eu te digo, você tem muitos fãs esperando por você.
Hoje eu sou apenas mais um dos personagens.
Hoje eu sou apenas mais um. E isso será permanente.
E você não se contenta, você quer ser todos os personagens. E eu estaria feliz em ser apenas aqueles que se encontram com você. Eu só gostaria de ser capaz de preenxer, todos os espaços. Todas as frases. Tudo.
Entrei no carro, contráriado. A noite estava começando e por enquanto as coisas estavam calmas, mas eu sinceramente já estava desanimado. Tentei me esconder dos espelhos, para que isso não piorasse ainda mais. Procurei razões para estar encarando tudo, e no fim, estavamos parados a sua porta. Esperando-o. Esperando a luz. Minha fé. Um anjo.
E você veio em minha direção, eu abri a porta. E você estava em camera lenta, abaixando-se e curvando-se para entrar no pequeno carro vermelho.
Minha mente se fechou em pensamentos exclusivos, que eu não gostaria de compartilhar com você. Eu não me contentei com as palavras 'bonito'. Será que você sabia o quanto perto da beleza inumana você alcançava, sem esforço? Será que você não percebe que não preciamos mais de luzes, com esse brilho intenso, eu poderia ficar no escuro, em segurança. Sem medo.
Será que você não vê que... as palavras estão se perdendo na minha boca? E eu não consigo tirar meus olhos da sua irritante perfeição. E agora sim, eu estava acabado. Não havia, nunca, competições. E eu estava sendo muito idiota, confesso. Eu sempre soube que nunca seria digno disso. E eu já podia estar convencido disso, era errado. Era impossível. Era inresistível.
Mesmo assim, eu deveria estar completamente agradecido por estar ali, por ele me deixar admirar algo tão grande e tão bonito. Era como ir a um grande museu e admirar grandes obras de arte, e nós não podemos fazer parte dessas pinturas. Dessas histórias. E mesmo assim, ficamos gratos por pelo menos, então, estarmos ali. Conhecendo. Admirando.
Mas as coisas estão ficando dolorosas. E díficies de continuar. Porque eu sei que sou errôneo em admitir querer qualquer coisa. Eu sei que você já tem sido muito compreensivo. E eu estou ainda implorando por mais. Eu ainda estou de joelhos, imitando uma vítima. Como se isso tudo girasse a minha volta. Como se eu, agora, fosse mais do que qualquer coisa. E eu estou completamente
Mas eu já disse tantas vezes. E eu não me contento em ler minhas palavras. Eu quero repití-las. Como quando seus olhos ficam tão esperançosos, que aquecem-me tanto que eu me sinto completamente derretido. E tudo o que você me pede, eu diria sim. Mesmo sabendo que me arrependeria fácilmente, em segundos.
Como o branco dos seus olhos junto com o negro intenso que as vezes, por graça, me fita. E eu não sou capaz de me mover. De respirar. Ou mesmo de pensar. Eu preciso me concentrar sempre antes, planejando o que dizer. Porque fica impossível ser expontanêo, quando você consegue ser perfeito, sem planos. Como você parece saber tudo, e nunca se engana.
Eu gostaria de voltar a falar da sua voz. Por que ela é a parte de você que eu posso ter sem límites, que eu fecho os olhos, ao telefone. E me concentro violentamente na forma, no gosto, no tom que ela se propaga. Como eu poderia viver sem isso? Eu não penso mais, direito. Porque eu me deixo cair, no grave da sua voz. Tão dedicido, adulto, eu caio no chão. Admirado. Eu gostaria de ter essa voz em todos os meus lados. Em todas as músicas, em todos os filmes, você poderia ser a única voz. E eu estaria muito satisfeito.
E quando você altera a sua voz, para algo mais fino, ou algo mais perverso. Quando você assusta alguém, e logo depois, eu já conheço. Eu já espero, ansiosamente. Eu já sinto meu corpo, todo pronto, para se preenxer dessa felicidade que chega com o seu sorriso. O seu riso alto e descontrolado que eu seria capaz de reconhecer. Mesmo morto.
As suas poses. Você é todos os personagens de todas as histórias. E o que você ainda não percebe, é que você se encaixa em todos. Um pouco de você, preenxe todos, muito bem. Soando tão belo.
Hoje você é todos os personagens. Mas nenhum deles estão disponiveis pra mim.
Hoje você é todos os personagens. E eu te digo, você tem muitos fãs esperando por você.
Hoje eu sou apenas mais um dos personagens.
Hoje eu sou apenas mais um. E isso será permanente.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Minha coleção emoldurada de corações humanos, empalhados.
Eu tinha uma estante empuerada, que me olhava. E ela me trazia idéias que soariam tão psicopatas ditas em voz alta.
E eu não fui capaz de resistir aos encatos. E essas idéias me dominaram, com a minha total vontade. Não me esforcei para ir contra isso. E eu construi minha coleção de pessoas. As pessoas intocáveis que eu gosto de admirar, que eu gosto de fingir que ainda falam, que ainda respiram. Que ainda estão ao meu lado.
E eu me divirto no meu jogo doentio, que eu tanto gosto de fazer, conversar sozinho. As vezes trago memórias para acompanhar, mas nem sempre elas são agradáveis, então eu prefiro inventar um novo começo. Um novo fim.
E eu me tornei uma grande pedra de gelo, incapaz de sofrer. E mesmo quando o sangue caia, e meu coração estava estraçalhado por palavras, meus olhos continuavam secos. E eu comecei a acreditar que quando essas lágrimas escorressem, eu seria melhor. Eu deixaria de ser um monstro e encontraria um caminho seguro. Mas eu estava enganado. Meus olhos liberaram mais sangue, mais dor. E eu não pudi me reerguer, eu quis cair. Eu quis me jogar, ser o responsável por estar caído.
E a dor é tão insuportável. Eu agora, sou completamente flexivel para me render a essa dor. E me entregar ao choro de uma lágrima. Me entregar ao medo. E eu passo horas parado, deitado. Olhando para essa minha coleção de pessoas intocáveis. Dessas pessoas que me trouxeram um pouco de luz, de calor. Mas seria necessário o dobro para preenxer esse vazio que eu tenho. Seria necessário que todos eles fossem ainda mais brilhosos que toda essa luz artificial que eu ligo a noite para enfrentar o medo de atravessar a sala. Eu não sou mais capaz de viver nessa fantásia. Foi bom, olhar. Foi bom, imaginar como seria. Mas eu nunca vou alcançar essas estatuas. Eu sou humano.
Humano demais para ter luz própria, eu só tenho luz que encontro nos outros. Eu só tenho luz que eu esfrego no meu corpo, roubando de algum filme. E isso é triste.
E eu não fui capaz de resistir aos encatos. E essas idéias me dominaram, com a minha total vontade. Não me esforcei para ir contra isso. E eu construi minha coleção de pessoas. As pessoas intocáveis que eu gosto de admirar, que eu gosto de fingir que ainda falam, que ainda respiram. Que ainda estão ao meu lado.
E eu me divirto no meu jogo doentio, que eu tanto gosto de fazer, conversar sozinho. As vezes trago memórias para acompanhar, mas nem sempre elas são agradáveis, então eu prefiro inventar um novo começo. Um novo fim.
E eu me tornei uma grande pedra de gelo, incapaz de sofrer. E mesmo quando o sangue caia, e meu coração estava estraçalhado por palavras, meus olhos continuavam secos. E eu comecei a acreditar que quando essas lágrimas escorressem, eu seria melhor. Eu deixaria de ser um monstro e encontraria um caminho seguro. Mas eu estava enganado. Meus olhos liberaram mais sangue, mais dor. E eu não pudi me reerguer, eu quis cair. Eu quis me jogar, ser o responsável por estar caído.
E a dor é tão insuportável. Eu agora, sou completamente flexivel para me render a essa dor. E me entregar ao choro de uma lágrima. Me entregar ao medo. E eu passo horas parado, deitado. Olhando para essa minha coleção de pessoas intocáveis. Dessas pessoas que me trouxeram um pouco de luz, de calor. Mas seria necessário o dobro para preenxer esse vazio que eu tenho. Seria necessário que todos eles fossem ainda mais brilhosos que toda essa luz artificial que eu ligo a noite para enfrentar o medo de atravessar a sala. Eu não sou mais capaz de viver nessa fantásia. Foi bom, olhar. Foi bom, imaginar como seria. Mas eu nunca vou alcançar essas estatuas. Eu sou humano.
Humano demais para ter luz própria, eu só tenho luz que encontro nos outros. Eu só tenho luz que eu esfrego no meu corpo, roubando de algum filme. E isso é triste.
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